Reprodução de cena do filme "O Agente Secreto". Foto Crédito: Victor Jucá/Divulgação.
O cinema brasileiro marcou uma noite histórica no 82º Globo de Ouro, realizado neste domingo (11) no The Beverly Hilton, em Los Angeles (EUA), ao conquistar dois prêmios principais com o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, para Wagner Moura – o primeiro brasileiro a vencer nesta categoria. É a primeira vez que o Brasil leva duas estatuetas na mesma edição do Globo de Ouro, resgatando uma tradição iniciada por Central do Brasil (1999) e continuada por Fernanda Torres no ano passado.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, o longa superou concorrentes de peso como Valor Sentimental (Noruega), Sirât (Espanha), A Única Saída (Coreia do Sul), A Voz de Hind Rajab (Tunísia) e Foi Apenas um Acidente (França). O anúncio do prêmio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa foi feito pelos atores Orlando Bloom e Minnie Driver, que saudou o público brasileiro com um “Parabéns” em português.
No discurso de aceitação, Kleber saudou o Brasil – “Alô, Brasil!” – e agradeceu à distribuidora Vitrine Filmes, à produtora e companheira Emilie, à equipe e ao elenco. “Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas. Esse é um grande momento”, afirmou o diretor, subindo ao palco com a equipe.
Wagner Moura, que superou Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador: The Smashing Machine), Michael B. Jordan (Pecadores) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido), celebrou em português: “Viva a cultura brasileira”. Ele chamou Kleber de “gênio” e destacou a amizade construída no projeto.
A repercussão internacional foi imediata, com o filme consolidando sua trajetória desde a estreia em Cannes – onde uma apresentação de frevo na Croisette viralizou -, e forte buzz nas redes globais. No Brasil, a vitória gerou euforia: o presidente Lula parabenizou a equipe no X, destacando o filme como “essencial para não deixar cair no esquecimento a violência da ditadura e a capacidade de resistência do povo brasileiro”, e relembrou uma sessão no Cine Alvorada. O deputado Guilherme Boulos chamou Moura de “melhor ator do mundo” e “irmão”; a deputada Erika Hilton elogiou a atuação “estelar” e defendeu investimentos culturais como os R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual; o prefeito Eduardo Paes disse que Moura é “gigante”; a ministra da Cultura Margareth Menezes exclamou “UAUUUUUU!”; o vice-presidente Geraldo Alckmin celebrou o “Brasil com S na moda” (em contraposição ao Brazil e ao Brasilzão); Rosana Hermann destacou o tema da memória e trauma; e Serginho Groisman vibrou com o brilho do cinema nacional.
Entre outros vencedores, Paul Thomas Anderson levou Melhor Direção por Uma Batalha Após a Outra, e Timothée Chalamet ganhou Melhor Ator em Musical ou Comédia por Marty Supreme. Na TV, Adolescência faturou dois prêmios de atuação. Com essas conquistas, O Agente Secreto posiciona o Brasil como protagonista na temporada de premiações hollywoodianas.