Foto Crédito Camões Berlin/Fundação Biblioteca Nacional.
A poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares, de 72 anos, foi anunciada nesta quarta-feira (8) como vencedora do Prêmio Camões 2025, principal distinção literária da língua portuguesa. A autora passa a integrar um seleto grupo que inclui grandes nomes da literatura brasileira como João Cabral de Melo Neto (1990), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), Ferreira Gullar (2010) e Chico Buarque (2019).
O júri internacional destacou em sua decisão a “fecunda e coerente trajetória de criação estética” da escritora, ressaltando especialmente “seu resgate de dignidade da Poesia” e a “relevante dimensão antropológica em perspectiva histórica” de sua obra. A premiação, concedida conjuntamente pelos governos do Brasil e Portugal, inclui um valor de 100 mil euros (cerca de 620 mil reais).
Trajetória literária
Nascida na província angolana de Huíla em 1952, Ana Paula Tavares radicou-se em Portugal desde 1992, onde concluiu doutorado em Antropologia. Sua produção literária inclui mais de dez obras, entre poesia, crônicas e romances, com destaque para “Ritos de Passagem” (1985), “O Lago da Lua” (1999), “A Cabeça de Salomé” (2004) e “Um rio preso nas mãos” (2019).
Reconhecimento institucional
A ministra da Cultura Margareth Menezes celebrou a escolha, afirmando que a obra de Tavares “revela a potência das vozes africanas e femininas que enriquecem os patrimônios culturais” da lusofonia. Já o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, destacou o “compromisso ético” da autora em reivindicar questões da África, Brasil e Portugal.
O Prêmio Camões consolida-se como principal instrumento de valorização do patrimônio literário em língua portuguesa, tendo premiado ao longo de 36 edições autores fundamentais de todos os países lusófonos.
Informações baseadas em anúncio oficial da Fundação Biblioteca Nacional e Ministério da Cultura.