Legenda da imagem: Atleta Arthur Busin do Clube Esperia. Salto no Rio Tietê em 15/11/1927. Foto Crédito: Arquivo Histórico do Clube Esperia
Nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, comemora-se o Dia do Rio Tietê. É uma boa ocasião para trazer à memória um tempo em que suas águas límpidas eram palco de regatas, competições a nado e encontros familiares. Essas recordações fazem parte de um clube paulistano fundado em novembro de 1899, que já mudou de lado, de nome, mas continua às margens desse que é o mais importante rio do Estado de São Paulo, o Clube Esperia.
Fundado por sete jovens italianos praticantes de remo, o Esperia não tinha piscina: o rio era o palco das competições de nado e das regatas. As famílias se reuniam para assistir às disputas, fazer piqueniques e nadar. As primeiras instalações foram erguidas na Chácara da Floresta, na margem esquerda do rio. Em 1904, a sede mudou para a margem direita, onde permanece até hoje. O nome também mudou: em 1942, passou a se chamar Associação Desportiva Floresta, como consequência da 2ª Guerra Mundial, e só em 1965 voltou a ser Clube Esperia, por movimento dos próprios associados.
“Dona Blanche Pironnet nadava no Tietê nos anos 1920 e nos contou pessoalmente com emoção que as águas do Tietê eram limpas e cristalinas. Quando as pessoas ouvem esse depoimento, custam a acreditar. É exatamente por isso que a gente guarda: para provar às novas gerações que aquele rio limpo existiu”, conta o historiador André Bertin, do Departamento de Arquivo Histórico do Clube Esperia.
Quase ninguém na cidade sabe, mas o Rio Tietê teve um dia oficial de adeus. Em 16 de abril de 1972, um domingo, foi realizada a regata de despedida do rio, a última competição de remo disputada em suas águas, depois de mais de meio século de provas. “Foi um momento muito triste. De toda a alegria que aquele rio proporcionou à cidade, o que sobrou foi a despedida. Em 16 de abril de 1972, encerrou-se a prática do remo no Rio Tietê e todas as atividades. É uma data que quase nenhum paulistano conhece, mas que faz parte da história de São Paulo”, explica o historiador.
A saudade daquele tempo está viva na memória de associados que integraram a equipe de remo nos anos 1950 e 1960. “Tenho tantas boas lembranças dessa época. Momentos especiais que vivi tanto como atleta, como ao lado dos meus familiares desfrutando de momentos de lazer às margens do Rio. Hoje conto as histórias para meus filhos”, diz Vital Costa.
O Clube Esperia preserva relíquias que testemunham essa relação, como a Taça da 1ª Travessia de São Paulo a Nado (1924) e a do 1º Torneio Paulista de Polo Aquático (1927). “Comemorar o Dia do Rio Tietê é, para nós, celebrar a força das tradições, o valor da preservação e a responsabilidade de transmitir às próximas gerações o respeito e o carinho por esse patrimônio de São Paulo”, finaliza Osvaldo Arvate Junior, presidente do clube.
Mais do que um centro esportivo, o Esperia é guardião de um importante acervo histórico e reafirma sua vocação para manter viva a memória esportiva e cultural de São Paulo. Neste 22 de setembro, celebra o rio que lhe deu origem e preserva relíquias que testemunham essa relação, como a Taça da 1ª Travessia de São Paulo a Nado (1924) e a do 1º Torneio Paulista de Polo Aquático (1927). “Comemorar o Dia do Rio Tietê é, para nós, celebrar a força das tradições, o valor da preservação e a responsabilidade de transmitir às próximas gerações o respeito e o carinho por esse patrimônio de São Paulo”, finaliza Osvaldo Arvate Junior, presidente do clube.











