Graças ao bom desempenho dos seus atletas, o Brasil terminou em 22º lugar no quadro de medalhas – Foto: Alessandra Cabral/CPB
O Brasil encerrou os Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 com a melhor campanha de sua história, entrando pela primeira vez no quadro de medalhas da competição. O feito veio com a prata do rondoniense Cristian Ribera no esqui cross-country, na prova de sprint sentado, resultado que também representa a primeira medalha de um país tropical e da América do Sul em Jogos Paralímpicos de Inverno.
Ribera, que já havia sido finalista em PyeongChang 2018 e Pequim 2022, confirmou o status de um dos principais nomes da modalidade. Em Val di Fiemme, nas Dolomitas italianas, ele liderou boa parte da final e foi ultrapassado apenas nos metros finais pelo chinês Liu Zixu, multimedalhista da prova. Com o resultado, o Brasil terminou os Jogos em 22º lugar no quadro geral, à frente de várias delegações tradicionais dos esportes de inverno.
A campanha histórica não se resume ao pódio. Milão-Cortina 2026 marcou a maior delegação brasileira já presente em Jogos Paralímpicos de Inverno, com oito atletas distribuídos entre esqui cross-country, biatlo e snowboard. Além de Cristian Ribera, competiram Aline Rocha, Elena Sena, Guilherme Rocha, Wellington da Silva, Robelson Lula, André Barbieri e Vitória Machado.
Aline Rocha, pioneira do país no esqui cross-country em Pequim 2022, voltou a registrar resultados consistentes. Em Milão-Cortina, ela emplacou dois quintos lugares (na prova de sprint e nos 10 km) e um sétimo lugar no revezamento misto, quebrando o próprio recorde de melhor colocação de uma brasileira em Jogos Paralímpicos de Inverno. Esses desempenhos mostram que o Brasil já não é apenas um estreante em esportes de neve, mas uma presença competitiva em provas de resistência.
Nos eventos de biatlo e cross-country, Elena Sena, Guilherme Rocha, Wellington da Silva e Robelson Lula acumularam participações em provas individuais e de sprint, ganhando quilometragem internacional e pontos no ranking, ainda que fora da zona de medalhas. No snowboard, André Barbieri e Vitória Machado representaram o país em Cortina d’Ampezzo, levando a bandeira brasileira a uma modalidade que exige não apenas técnica, mas adaptação a condições de pista e clima muito diferentes do cenário esportivo nacional.
Para além dos números, a campanha de 2026 consolida um processo de construção de base que começou com delegações pequenas em edições anteriores e hoje se traduz em presença regular em Copas do Mundo, competições continentais e centros de treinamento adaptados. A prata de Cristian e a sequência de finais e top 10 de atletas como Aline Rocha indicam que o Brasil começa a transformar a experiência acumulada em resultados concretos, abrindo caminho para que novas gerações de paratletas se arrisquem em modalidades até pouco tempo consideradas distantes da realidade do país.