O Brasil registrou um início de ano histórico no turismo internacional. No 1º trimestre de 2026, o país recebeu cerca de 3,74 milhões de turistas estrangeiros, segundo dados oficiais divulgados pelo Ministério do Turismo e pela Embratur. O resultado representa um crescimento de aproximadamente 19,4% em relação ao mesmo trimestre de 2025 quando se consideram apenas as chegadas por via aérea (2,33 milhões de visitantes estrangeiros desembarcaram por avión). Considerando todos os modais – aéreo, terrestre, marítimo e fluvial -, o país também alcançou o melhor resultado da série histórica para o período.
Esse desempenho coloca o país em rota de concretizar a meta anual de 7,5 milhões de turistas internacionais estabelecida para 2026.
De onde vêm e para onde vão?
Entre os principais países de origem dos visitantes está a Argentina, que é campeã na quantidade de turistas internacionais que vieram ao Brasil no primeiro trimestre deste ano, tendo sido responsável por mais de 1,64 milhão de chegadas. Também destacam-se Chile e Estados Unidos como importantes mercados emissores.
A maior parte dos estrangeiros chega pelo Rio de Janeiro e São Paulo, que concentram a maior parte das chegadas, com 843.615 e 855.191 desembarques, respectivamente. Santa Catarina também se destaca, com mais de 328 mil entradas, seguida por Bahia (83.570) e Pernambuco (52.031).
Segundo o governo federal, o avanço é creditado a uma combinação de fatores: campanhas de promoção do Brasil no exterior, câmbio favorável ao turista estrangeiro, retomada de voos internacionais e fortalecimento de parcerias com operadoras e plataformas globais de viagens.
O que esse recorde significa na prática?
Para quem vive do turismo — hotelaria, restaurantes, bares, agências, guias, transportes, artesanato e cultura —, o recorde já se reflete, em tese, em:
- maior ocupação hoteleira em grandes destinos;
- mais movimento em bares, restaurantes e pontos turísticos;
- retomada de empregos ligados à cadeia do turismo;
- mais arrecadação de impostos em estados e municípios.
Mas especialistas em turismo e economia lembram que o recorde de chegada de turistas não é garantia de sucesso duradouro se não houver:
- permanência mais longa dos visitantes no país;
- maior gasto médio por turista;
- melhoria na infraestrutura de transporte, aeroportos, rodovias e saneamento;
- investimento em segurança pública nos destinos mais visitados;
- diversificação da oferta, para que o turista conheça mais do que os mesmos destinos tradicionais.
A distribuição do fluxo pelo território também é um ponto crucial. O Brasil ainda concentra grande parte dos turistas em poucos polos. A expansão de rotas para o Norte e Nordeste, o incentivo ao turismo de natureza, de base comunitária e de vivência cultural são caminhos para que mais cidades e regiões possam se beneficiar desse crescimento.
Campanhas, parcerias e o futuro do turismo no Brasil
O governo federal tem trabalhado em novas campanhas de promoção do Brasil no exterior, com foco em:
- experiências culturais e gastronômicas;
- turismo de natureza (praias, florestas, cachoeiras, trilhas, ecoturismo);
- eventos esportivos e culturais que colocam o país no calendário internacional;
- parcerias com operadoras, airlines e plataformas de viagens para ampliar a oferta de pacotes e rotas.
O setor privado, por sua vez, aposta na qualificação do atendimento, na profissionalização de pequenos negócios e na criação de experiências que valorizem a identidade local, a cultura e a diversidade brasileira.
Se a tendência de crescimento se mantiver ao longo do ano, 2026 pode consolidar um novo patamar para o turismo internacional no Brasil, com impacto direto na economia, na geração de empregos e na arrecadação de impostos em estados e municípios. Mas o desafio será transformar esse pico em crescimento sustentável, com mais qualidade, mais inclusão e mais distribuição de oportunidades por todo o país.










