Adolescentes do Projeto GURI farão parte da pesquisa. Foto Crédito: Fabrício Maia.
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) lançou nesta segunda-feira (15) o Centro Interdisciplinar para o Desenvolvimento da Pesquisa em Música (CiDPMus), sediado no prédio da Reitoria, em São Paulo. Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o novo centro é o sétimo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) com sede na universidade e receberá R$ 7,7 milhões em cinco anos para investigar os impactos da educação musical na saúde mental.
O CiDPMus vai analisar dados coletados em dois projetos culturais consolidados no estado – o Projeto Guri e a Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp) Tom Jobim – ambos vinculados à Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas e geridos pela organização social Santa Marcelina Cultura. Os CCDs da Fapesp buscam articular pesquisa e políticas públicas para enfrentar problemas sociais concretos.
A coordenação do centro ficará a cargo da professora Graziela Bortz, do Instituto de Artes da Unesp em São Paulo. A equipe é interdisciplinar e inclui pesquisadores de várias instituições nacionais e internacionais, entre elas Universidade Federal do ABC (UFABC), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Estadual de Londrina, University of Southern California, Indiana University e Universidade de Ostfold (Noruega).
Na fase inicial, o estudo pretende coletar dados de saúde mental de cerca de 2.000 adolescentes e jovens participantes do Guri e da Emesp Tom Jobim, em cidades do interior (Bauru, Presidente Prudente e São Carlos) e na capital. Outros 2.000 indivíduos serão selecionados como grupo de controle, totalizando aproximadamente 4.000 participantes.
Serão aplicados questionários sobre saúde mental e uso de drogas para mapear fatores de proteção – como promoção da saúde emocional, redução de estresse e desenvolvimento cognitivo – e fatores de risco – como pressão por performance e gatilhos para transtornos mentais presentes na rotina de estudantes e profissionais. A proposta é criar metodologias e indicadores capazes de dimensionar o impacto da educação musical na saúde psicológica dos participantes.
“Podemos fazer um diagnóstico institucional e saber se as instituições podem atuar para minimizar os efeitos da ansiedade e como a música pode funcionar como antídoto para vícios da era moderna”, afirmou Graziela Bortz. Segundo a pesquisadora, se os resultados apontarem efeitos positivos, isso terá relevância para formulação de políticas públicas que reconheçam a arte como parte essencial da educação.
Para Paulo Zuben, diretor artístico-pedagógico do Projeto Guri, a pesquisa deve fornecer evidências necessárias ao financiamento de políticas culturais e educacionais. “O percurso que vamos ter nos próximos anos para medir resultados vai mostrar o quanto a música afeta – para quem está começando e para quem já é profissional – e isso é fundamental para embasar políticas públicas”, afirmou.












