Fenômeno raro, que não cruzava o continente europeu desde 1999, movimentou roteiros de viagem, lotou cidades no caminho da totalidade e reacendeu o interesse por um nicho de turismo que só cresce: perseguir eclipses pelo mundo
Da Redação
Foto: Eclipse solar total observado em San Millán de los Caballeros, na Espanha, nesta quarta-feira (12). Crédito: NASA/Bill Ingalls
Quem viajou para a Espanha ou para a Islândia nesta semana não foi só a passeio. Nesta quarta-feira (12), milhares de turistas se concentraram em cidades específicas ao longo de uma faixa estreita de território — a chamada “faixa de totalidade” – para testemunhar o primeiro eclipse solar total a cruzar o continente europeu em 27 anos, evento que não ocorria desde agosto de 1999. O fenômeno moveu um tipo de turismo cada vez mais consolidado no calendário de viagens internacionais: o astroturismo, ou turismo de eclipses, que reúne viajantes dispostos a cruzar continentes só para estar no lugar certo, na hora certa, durante os poucos minutos em que a Lua encobre totalmente o Sol.
Onde a multidão se concentrou
A sombra da Lua percorreu um trajeto que atravessou uma remota região da Sibéria russa, o leste da Groenlândia, a costa oeste da Islândia e o norte da Espanha, terminando numa pequena faixa de Portugal. Mas foi nos dois países com maior densidade populacional dentro do trajeto – Espanha e Islândia – que se concentrou a maior parte do público viajante, com cidades, estradas e mirantes registrando lotação nas horas anteriores ao fenômeno.
Na Islândia, a região da península de Snæfellsnes, no oeste do país – já um destino turístico consolidado por sua paisagem vulcânica e glacial – se tornou um dos pontos mais disputados por observadores, por concentrar o trecho de maior duração da totalidade, poucos segundos acima de dois minutos.
Já na Espanha, cidades do norte do país, incluindo pontos na região de Castela e Leão – onde foi registrada a imagem que ilustra esta reportagem, na localidade de San Millán de los Caballeros -, viraram roteiro de viagem para quem queria unir turismo cultural e gastronômico ao espetáculo astronômico, com o diferencial de que, ali, o eclipse aconteceu ao entardecer, pouco antes do pôr do sol – criando cenários fotográficos considerados particularmente raros por especialistas em observação de eclipses.
Um bônus astronômico para quem viajou
Quem organizou a viagem em torno do eclipse ganhou um atrativo extra: a data coincidiu com o pico da chuva de meteoros Perseidas, um dos eventos astronômicos mais aguardados do ano, o que permitiu, durante os minutos de escuridão total, avistar também rastros de estrelas cadentes no céu – combinação pouco comum entre dois fenômenos que raramente se sobrepõem no calendário.
Um nicho de turismo que só cresce
Eclipses solares totais vêm consolidando, nas últimas décadas, um nicho de turismo específico: viajantes que planejam roteiros internacionais inteiros – muitas vezes com anos de antecedência – em função da trajetória exata da sombra lunar sobre o planeta. O fenômeno já havia mobilizado grandes públicos em abril de 2024, quando a faixa de totalidade cruzou o território da América do Norte, gerando forte impacto no turismo de cidades ao longo do trajeto nos Estados Unidos, Canadá e México.
Com a Europa devendo esperar novamente muitos anos até que um eclipse total volte a ser visível a partir do continente, operadoras de turismo especializado e comunidades de “eclipse chasers” (como são chamados os viajantes que colecionam a experiência de presenciar eclipses ao redor do mundo) já direcionam atenção para os próximos destinos no calendário astronômico internacional – um roteiro que, para esse público, começa a ser planejado com anos de antecedência.
Com informações da Nasa e do National Geographic.












