Da Redação
Foto – As obras de Matisse foram recuperadas. As de Cândido Portinari ainda não. Crédito: Divulgação Polícia Civil de São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo recuperou nesta quinta-feira (13) oito das 13 obras de arte furtadas da Biblioteca Mário de Andrade, no bairro da República, centro da capital paulista, em dezembro do ano passado. As peças, todas de autoria do pintor francês Henri Matisse e avaliadas em mais de R$ 1 milhão, foram encontradas em um apartamento no centro de São Bernardo do Campo, onde eram guardadas por um homem a mando do suspeito apontado como mandante do crime. Ele foi preso em flagrante por receptação, e uma arma de fogo apreendida no local resultou também em acusação por posse ilegal de armamento.
As outras cinco obras ainda não localizadas são de autoria de Cândido Portinari – a polícia suspeita de que já tenham sido vendidas no mercado clandestino de arte.
A recuperação foi conduzida pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), responsável pelas investigações desde o dia do roubo.
Como o caso começou
O furto ocorreu em dezembro, quando dois criminosos invadiram a biblioteca, renderam um vigilante e um casal de idosos, e recolheram documentos e quadros em uma sacola de lona antes de fugir pela porta principal. Apesar do acionamento da Polícia Militar, os autores não foram encontrados no momento da fuga.
Um dos suspeitos de participação direta no assalto acabou identificado e preso já no dia seguinte, na Avenida Alcântara Machado, entre o Brás e a Mooca. O trabalho de investigação combinou imagens de câmeras de segurança do local, registros do sistema Smart Sampa e dados do banco de informações Muralha Paulista, que permitiram cruzar informações até chegar à identidade e ao paradeiro do suspeito.
A prisão do mandante
Em abril deste ano, a Polícia Federal do Rio de Janeiro prendeu preventivamente dois dos principais investigados no caso, entre eles o apontado mandante do roubo à biblioteca paulistana. As prisões ocorreram no âmbito de outra apuração, sobre uma tentativa de corrupção de um agente de segurança de instituição federal para facilitar o furto de obras de arte – mesma linha de atuação criminosa associada à chamada operação Marchand. Uma mulher também investigada por envolvimento no esquema foi presa na ocasião.
Um mês depois, em maio, a polícia deflagrou uma nova fase das investigações, cumprindo mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em endereços de São Paulo, São Bernardo do Campo, Diadema e Rio de Janeiro – entre eles, imóveis ligados a investigados e a estabelecimentos do mercado de leilões e comercialização de obras de arte.
Segundo as apurações, o grupo agia de forma organizada, com planejamento e divisão de funções entre furto, receptação e a posterior inserção das obras roubadas no mercado ilegal de arte – um esquema que a polícia trabalha agora para desmontar por completo, na tentativa de recuperar também as obras de Portinari ainda em paradeiro desconhecido.











